20.9.09

AVENTURA SENSUAL

Seria sonho? Ele se perguntava enquanto ultimava os preparativos para sua saída.

Lembrou-se que o encontro que deveria acontecer em algumas horas havia surgido inesperadamente, ou melhor, quase inesperadamente.

É certo que ele já olhava aquela pessoa com muito interesse há algum tempo, admirava a suavidade com que ela pisava o piso do corredor que levava ao hall dos elevadores do prédio onde ambos exerciam suas profissões. Ele como advogado especialista em causas tributárias e fiscais e, ela como secretária.

Seus passos por sobre uns saltos altos (será que seriam 7,5 cm?) eram macios como se fora ela um felino em busca da caça. Ao mesmo tempo eram os passos decididos de alguém que sabe o que quer e vai atrás.

Seu corpo tinha curvas bem delineadas. Seios fartos forçavam, na maioria das vezes, os suéteres que usava tentando, quem sabe, furá-los e ganhar a liberdade para serem verdadeiramente admirados.

A cintura, com medidas ideais, acomodava com perfeição os cintos largos ou estreitos que, supostamente, serviam para sustentar as saias que escondiam uma boa (ou seria ótima?) parte daquele corpo escultural

Toda vez que o acaso proporcionava um encontro no corredor ou no hall, ele se agitava todo, sentia as pernas tremerem, a boca ficar seca e uma pequena taquicardia o atacava fazendo seu coração quase saltar pela boca.

Depois de vários encontros ocasionais, ambos já se cumprimentavam com cordialidade. Primeiro fora apenas um pequeno balançar das cabeças seguido por um quase murmurado “bom dia” ou “boa tarde” depois, com o passar dos dias os cumprimentos já haviam se alongado para um “como vai?”, “até amanhã”, “bom fim de semana” etc.

Certo dia, no elevador, quando este subia, lá estavam os dois e ele, admirando a escultura notou que a etiqueta da sai estava para fora do cós. Tomado de uma enorme coragem disse:

- “com licença, mas, sem querer eu percebi que a etiqueta de sua saia está para fora”.

Ela imediatamente agradeceu. Daquele momento em diante a troca de palavras passou a ser mais assídua. Os papos aumentaram de tamanho e de constância.

Depois de estabelecido a cordialidade veio o primeiro convite, por parte dele, para um cafezinho. Vários cafezinhos depois, o convite para um almoço informal.

Ela aceitava, de pronto, a todos os convites que dele partiam, dando-lhe, assim, a certeza de que estava agradando e obrigando-o a se insinuar, cada vez mais.

Enfim, chegou o dia do convite para um jantar mais formal. Convite feito e imediatamente aceito, lá se foi o casal para um dos restaurantes mais sofisticados da cidade. Jantaram ao som de um trio de cordas (um dos músicos era o violinista Spalla, da Sinfônica Municipal) que executava músicas suaves e muito românticas. Beberam vinho e, depois do jantar, surgiu o convite para esticarem a noite em uma casa noturna.

Ela aceitou e eles seguiram para lá. Dançaram, sempre com os corpos coladinhos.

Ele, um pouco mais atrevido, começou a sussurrar palavras românticas aos ouvidos dela e percebeu que ela não só aceitava as palavras como se emocionava com elas.

Homem ativo e bem disposto, lógico, sentiu que seu corpo era dominado por um calor fortíssimo, que subia por toda sua espinha e estourava em bolhas coloridas no cérebro. Reconheceu, de imediato, o enorme desejo que se aflorava. Mas, homem experiente em aventuras e não pretendendo assustar a companheira na primeira investida noturna, usou de todas as artimanhas possíveis e imagináveis para reprimir o tesão, sem estragar a noitada. Conseguiu!

Outras saídas aconteceram e novamente ele inibiu seu desejo. Percebeu, porém, que ela também se animava a cada nova saída. Sentia a pele dela se arrepiar quando a beijava com sofreguidão.

Sentia que ela, a cada beijo seu, se aninhava mais ainda em seus braços, colava mais ainda seu corpo ao dele na busca de sentir aquele membro cada vez mais entumecido.

Um dia em que os desejos estavam muito mais aflorados, chegou a sentir certo tremor em todo corpo dela, como se ela, sem aguentar mais os impositivos da sua delicada postura, chegara ao gozo.

Com sutil abordagem, comentou com ela sua vontade de avançar no relacionamento. Seu enorme desejo de possuí-la.

Ela, por sua vez, também declarou não mais aguentar-se de desejos. Então, vontades declaradas, combinaram que na noite seguinte, iriam se encontrar e rumariam para um Motel, onde dariam vazão aos instintos carnais que lhes invadiam as entranhas.

Foi assim, embalado nesses pensamentos que ele terminou de se arrumar. Saiu em busca da presa que hoje, sem duvida, seria toda sua.

Encontram-se, beijaram-se e, depois, rumaram para o Motel pré escolhido.

Já na suíte, ele iniciou um ritual preliminar. Depois de beijá-la novamente por várias vezes, derrubou-a sobre a cama e começou a despi-la.

Tirou-lhe a blusa, colocando à mostra um sutiã ousado que tentava, a muito custo, segurar aquele par de seios maravilhosos, totalmente eriçados e com os mamilos totalmente excitados. Desceu para a saia que ela já havia iniciado a tirar e a puxou de um só movimento. A visão daquelas pernas encimadas por uma calcinha quase imperceptível de tão minúscula.

Não querendo perder mais tempo arrancou, de forma brusca e rápida, as roupas que ainda estavam sobre seu corpo jogando-as amontoadas aos pés da cama.

Admirou mais uma vez aquele corpo lindo antes de deitar-se. Deitou. Com suavidade e muito carinho, sacou dela o sutiã e a calcinha e, simultaneamente, recomeçou a beijá-la sofregamente.

Seus lábios, primeiro, buscaram os lábios dela, beijou-os e ela os entreabriu. Suas línguas se encontraram e enroladas misturaram saliva e humores.

Ela já sentia o sumo de seu desejo molhar suas entranhas e se espalhar por sua genitália. Ele, membro enrijecido, não segurava mais sua ânsia.

Seus beijos abandonaram os lábios dela e em movimentos carinhosos foram baixando e acarinhando campos outros que não a boca. Beijou sequiosamente sua nuca, seu colo. Sofregamente beijou seus seios e com sede impossível beijou seus mamilos róseos.

Baixando mais, beijou com carinho seu umbigo e, no auge do desejo,foi buscar a catedral do amor, cantada em prosa e verso, por compositores e poetas.

Ajeitando-se ao longo da cama buscou dar um beijo nos lábios carnudos que latejavam por amor, aproximou seus lábios daquela vulva tão desejada e, então...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Uma enorme gargalhada foi solta pela fêmea que ele já considerava totalmente abatida.

Novamente tentou e novamente ela gargalhou desregradamente. Desta vez, porém, junto com a gargalhada veio uma desculpa:

- Ai, amor... Assim não... Eu morro de cócegas...

Foi o ponto final daquela sensual aventura...O enrijecido membro caiu por terra, o prazer tão procurado foi deixado de lado e a cena transformou-se numa pantomima repleta de histrionismo.

Os dois, então, engasgados de tanto rir, resolveram atacar os quitutes oferecidos pelo cardápio do Motel, beber um champanhe gelado e, dar um tempo para o amor selvagem que pretendiam praticar.

Outros dias viriam, outros desejos seriam praticados, mas beijos coceguentos, com certeza não mais seriam praticados.

9.9.09

Amigos, o texto a seguir foi encontrado no meu baú de velharias. Eu o escrevi há muito tempo atrás e ele foi o prototipo do meu conto "ENFIM SÓS". Ele é um tanto adultero e um pouco mais adulto. Sei que ao publica-lo me exponho às criticas e broncas dos meus fiéis leitores. Julguem-me pois........
AMOR INTERNÉTICO
A vida nos oferece situações que, certamente, não poderíamos imaginar em sã consciência.
Este relato e uma prova inconteste da afirmativa acima.
Jamil e Dália, dois seres que nunca havia se entreolhado, ele bancário, aposentado, vivendo mal e endividado, numa cidade interiorana de Santa Catarina, ela mulher nova, exuberante, cheia de vida, saída de um tumultuado relacionamento amoroso, vivendo em terras acreanas.
Entre eles, apenas e simplesmente, dois computadores e a Internet!
Se conhecem casualmente quando ele sem nada para fazer e devidamente conectado visita um blog que, nem sabe como, lhe fora recomendado.
Leu o que ali tinhá sido escrito por ela que no blog tinha o nick de Daliatelá, e o que leu lhe emocionou bastante.
Ela, como se estivesse à frente de um confessionário, escrevia nos textos suas amarguras e decepções com o relacionamento terminado, suas ânsias e desejos, seus sonhos e ilusões.
Ele leu a tudo e escreveu vários comentários, elogios, sugestões e arriscou, inclusive, alguns conselhos.
Dos comentários até a troca de mensagens e, depois, os papos no MSN foi
só questão de tempo.
Jamil há muito sem ter como ocupar seu coração estava sentindo-se totalmente acarinhado e feliz. Dália, com as atenções recebidas daquele estranho em momento tão fragilizado de sua existência, vibrava com as palavras amorosas e os conselhos despretensiosos por ele registrados.
Os papos cada dia iam se aprofundando e os temas, em função das necessidades e carências de ambos foram cada vez mais se apimentando.
Não fosse a enorme distancia física que os separava, e eles já se tinham entrelaçado num longo e sugestivo abraço, acompanhado de beijos ardentes e sequiosos.
O envolvimento era tal que, em algumas ocasiões o papo no msn, sempre com a cam ligada, foi tão ardente que ambos conseguiram chegar ao orgasmo sem que nenhum toque houvesse acontecido.
Era a fome unida à vontade de comer.
Ambos estavam ligados por uma forte afinidade afetiva e, sequiosos, maquinavam a forma melhor de se encontrarem ao vivo e à cores.
Era uma possibilidade muito remota, ele vivendo sob a rigidez de suas receitas financeiras, ela recomeçando uma vida que fora interrompida por uma experiência desagradável, sem qualquer condição de dispor de uma folga financeira para o arroubo tão desejado.
As coisas estavam cada vês mais impossíveis de serem suportadas quando, por uma ajuda divina Jamil, jogando no bicho, acerta a milhar na cabeça e recebe mais de R$ 30, 000,00 como pagamento de sua aposta.
Não faz qualquer aviso ou comentário, compra a passagem aérea e embarca imediatamente para na cidade onde reside sua amada Dália.
Lá chegando, se hospeda no melhor e mais luxuoso Hotel, em uma suíte muito bem decorada e, devidamente instalada, banho tomado, perfume aplicado vai ao telefone e faz uma ligação para ela.
Depois dos primeiros arrulhos, conta a novidade e diz que a está esperando ansiosamente.
Dália mal desliga o telefone corre a sem arrumar e sai desesperada, para buscar abrigo nos braços daquele homem que tanto a alucinava.
No quarto Jamil, depois de dar uma bicada na bebida que preparara, enquanto aguardava começou a divagar: Como será a reação dela quando e me ver? Será que vai se assustar ou cair na real e ver que não sou aquilo que ela esperava? Será que vou dar no coro? Devo tomar o comprimido que meu urologista recomendou agora ou mais tarde? Agora não, ele me falou que só devo tomar o comprimido quando estiver com a parceira, ele só fará efeito se o estimulo se fizer presente. Será que ela vai demorar? Não seria melhor eu mandar fechar a conta e ir embora antes de me decepcionar?
Nisso o telefone toca e da recepção avisam que a Sra. Dália está lhe procurando. Jamil limpa a garganta e pede para que eles a encaminhem à sua suíte.
Olha mais uma vez para o espelho, ajeita o pouco cabelo que ainda lhe resta na cabeça, esfrega as mãos para disfarçar a ansiedade, percebe que as pernas estão tremulas, quando batem à porta.
Corre a abri-la, abre e depara com uma visão pra lá de agradável.
À sua frente esta uma mulher linda, radiante, risonha que disfarçando a emoção lhe diz: - Olá! Tudo bem?
Jamil nem responde, imediatamente abre os braços e percebe que entre eles Dália se aninha e retribui o imenso e emocionado abraço. Seus olhares se cruzam e seus lábios se encontram, num beijo ardente e abrasador suas línguas se entrelaçam, suas salivas se misturam, o feromônio espargido envolve o ambiente, os desejos gritam alto, os dois abraçados, foram escorregando num baile sensual e caíram em cima do leito.
Jamil, quase sem fôlego levanta-se parcialmente e começa a tirar o vestido de Dália, era um vestido bastante decotado, com alças, que permitiam uma visão panorâmica do seu colo sedoso e amorenado pelas caricias do sol, e do seu busto exuberante e farto. Assim que liberou a parte de cima do vestido, Jamil percebeu a marca mais clara que contorna aqueles seios, formando um sutiã invisível delineado por banhos de sol constantes.
Dália, de olhos fechados, saboreava aqueles momentos que pronunciavam delicias quase que imediatas e percebeu quando Jamil, de olhos vidrados de desejo aproximou sua boca daqueles mamilos róseos e projetando seus seios para frente encostou-os na boca de Jamil que, entreaberta recebeu-os e começou a beija-los com sofreguidão.
O resto do vestido quase foi rasgado tal era o desespero do casal em se despir e sentir, pele com pele, a descarga de desejos que os inflamava.
Desvencilhados das roupas, as caricias preambulares tomaram conta do ambiente, Dália gemia de tanto prazer, aliás, seus gemidos nem pareciam gemidos, aos ouvidos de Jamil eram arrulhos amorosos e, ainda preso nas suas volúpias, continuava a beijar aquele corpo que povoava sua imaginação há tanto tempo. Beijou-lhe a boca, o pescoço, os seios e seus mamilos, nesta altura tesos e arrepiados, beijou-lhe o ventre que arfava descompassado, e mais abaixo, beijou-lhe toda zona genital, naquela altura, completamente molhada, lubrificada no aguardo do momento maior.
Jamil, cônscio, buscava prolongar as preliminares para extrair da relação todo o prazer possível.
Dália, até então subjugada aos arroubos do amado, tomada de súbito arrebatamento, muda de posição com o parceiro e, de forma definitiva, começa a lhe aplicar o mesmo tratamento que até então tinha sido a receptora.
Faminta, também lhe beijou os lábios, o peito, e sôfrega, mas consciente, abocanhou o falo que se apresentava teso e vibrante, beijou-o com carinho, chupou-o com veemência e técnica que nem sabia conhecer.
Jamil, submisso aceitava as caricias e se deliciava. Há muito tempo não se sentia tão plenamente macho numa relação amorosa. Era agente ativo e passivo com toda a plenitude do momento.
O casal passou a se beijar mutuamente num sexo oral mais enlouquecido possível. Jamil tentou evitar o epílogo, mas, sentido que Dália chegava ao orgasmo, motivada por sua língua que vibrava incessantemente sobre o seu clitóris, não mais prendeu o gozo que em jatos foi se chocar ao rosto de Dália que, recebeu e se deliciou com aquele leite cálido e pegajoso.
Foi um orgasmo abrasador e definitivo.
O casal permaneceu quieto por alguns segundos, buscando, na respiração compassada, readquirir o fôlego que no momento anterior por pouco não lhes faltara por completo.
Deitados e parcialmente exauridos, abraçaram-se, beijaram-se, e resolveram dar continuidade ao ato, agora buscando no sexo usual, uma penetração eficiente e um novo arrebatamento.
Tinham certeza, tanto Jamil como Dália, que a união iniciada lá atrás num bate papo na internet teria continuidade, se possível dali para frente, independente de todos os obstáculos e empecilhos que viessem acontecer.
Assim, chegaram mais uma vez ao gozo e, totalmente exaustos deixaram-se abater num sono tranqüilo e recuperador.
Outros dias e outras noites viriam dali para sempre...

29.8.09

AVENTURA DA ONCINHA BALONE

O titulo pode ser esquisito, mas ao longo do relato poder-se-á verificar a aplicabilidade do mesmo.
A estória é recente. Ela (reservo-me o direito de não citar seu nome no intuito de evitar polêmicas caseiras) tinha chegado um dia antes. Trouxera na mala, alem das roupas que pretendia usar na rápida viagem de fim de semana, um traje mais adequado para usar naquela noite antes do passeio quando iriam, ela e seu companheiro, a um baile especial.
Era noite de quinta-feira, o dia tinha sido de rápidas saídas. Fora a um salão de beleza se embonecar para o evento e, agora, se preparava para tomar um belo e relaxante banho e, depois, se arrumar para a investida noturna.
Tudo pronto. Ela toda esfuziante no seu vestido “tomara que caia balone” estampado como se pele de onça fora, aguardava apenas o andamento do relógio para sair, quando começou a chover. Era uma chuva miúda no início, depois, bem, depois começou a engrossar e engrossava cada vez mais.
Decididos a não se deixarem abalar pelas mutações climáticas, guarda-chuva preparado, saíram para o tal baile. Ele, todo cuidadoso, lembrou-se que o local onde estacionavam o carro não era calçado ou pavimentado e, então, recomendou que ela levasse uma sandália baixa para usar quando de volta da noitada e não atolar o saldo 7,5 de seu sapato no barro que haveria de se formar. Foram de carro e no trajeto a chuva cada vez caia com mais volume.
Chegaram a frente ao salão e com manobras quase que circenses conseguiram adentrar ao mesmo sem maiores consequências por causa do temporal que teimava em continuar desabando dos céus.
No salão a música tocava e os pares dançavam irradiando alegria. Nosso casal central, instalado em uma mesa de pista já havia bebericado algumas cervejas e mastigado alguns petiscos, apreciava a tudo e se divertia a valer.
Eis que é chegada a hora de retorno ao lar. A conta é paga, as despedidas estavam sendo feitas quando ao olhar por uma das janelas eles percebem que a chuva de antes tinha dado lugar a um verdadeiro vendaval.
Os céus derramavam jorros de água enquanto o vento zunia forte. Chega um conhecido e muito reservadamente pede uma carona ao casal que, de imediato aquiesce.
Tentam, então, sair, a enxurrada na rua é enorme. Só alcançam o carro com a ajuda das vigilantes que, munidas com enormes guarda-sóis, se esforçavam em evitar que o banho de chuva fosse totalmente consumado.
Já alojados no carro, começam a etapa de retorno. Ela, ao volante, se esforçava em distinguir a via carroçável das calçadas já que na maior parte do trajeto o alagamento era constante. Enfim, entregam o carona. Despedem-se dele e continuam a aventura de chegar ao lar.
Enfim, depois de várias freadas e sustos, chega o casal ao portão do estacionamento onde deveriam guardar o veículo. Iniciam uma pequena discussão para decidir quem deverá abrir o portão. É um portão de madeira, enorme e mal construído. Ele desce do carro e, depois de idas e vindas consegue abrir as duas folhas do portão.
Ela avança com o carro e o estaciona. Ele vai ter com ela e aguarda, pacientemente, ao lado do veiculo, brigando com o vento que teima com seu sopro forte revirar a pequena peça ao avesso. Ela lá dentro, primeiro troca os sapatos de salto alto pela sandália que emergencialmente fora sugerida. Ele continua aguardando, ela ainda continua dentro do carro, agora tentando acionar uma pequena lanterna que tinha certeza era auto carregável, e nada da pecinha funcionar.
Ele reclama, chama e ela, afinal resolve sair mesmo sem qualquer raio de luz. O vento continua soprando, o guarda-chuva continua sendo retorcido pelo vento, ele continua sendo molhado pela chuva e ela, pacientemente tenta acertar a chave para fechar a porta do carro.
Pronto, carro fechado, eles se direcionam para a saída. Ela toda prestativa avisa que o ajudará a fechar o enorme portão, ele se recusa a aceitar a ajuda e apenas quer que ela segure o guarda-chuva. Ela impetuosamente se agarra a uma das folhas do portão e tenta trazê-la para o lugar onde deverá se encontrar com a outra folha. Lógico sua força não é suficiente para completar a tarefa a que se propunha e, numa lufada maior de vento, lá se vai, de volta à posição anterior, a folha do portão de madeira muito encharcada da chuva e pior, levando com ela, devidamente estatelada aquela figurinha feminina vestida com um tomara que caia balone no padrão de oncinha.
Ao olhar a cena ele teve quase a certeza absoluta de distinguir uma oncinha devidamente estampada nas grades de uma jaula de madeira, como se fora um desenho animado. Prendeu, com muito esforço, a gargalhada que lhe coçava a garganta, pois tinha certeza de que se ela aflorasse a briga seria de conseqüências incontestáveis.
Pronto, portão fechado, oncinha balone recomposta, dirigem-se para casa. Ela na frente segurando o guarda-chuva, ele atrás, segurando a risada. Na ânsia de ser prestativa ela ainda estanca e abaixa-se no corredor do prédio. Ele pergunta o que ela esta pretendendo fazer e ela responde que ira tirar o protetor do ralo para que não ocorra uma enchente no corredor. Já sem um pingo de paciência ele ordena que ela se recomponha e siga em frente, para o apartamento. Ela percebendo a irritação que dele se assomara, não discutiu e foi em frente.
Passados alguns minutos, depois de já estarem resguardados entre as quatro paredes e o teto do lar, o assunto veio à baila e aí, então, nenhum dos dois conseguiu dominar as gargalhadas que saíram sonoras e debochadas por mais de uma hora.
Foi, apesar de tudo, uma noite muito agradável e engraçada.
Ah! O vestido de oncinha não estragou. Foi guardado para, quem sabe, uma nova noite de aventuras.

16.8.09

COM O MUNDO SOBRE OS OMBROS
Nós, seres humanos, somos tremendamente esquisitos. Criticamos todos os semelhantes e todas as coisas que se posicionem ao nosso redor ou, pelo menos, se nos apareçam, mesmo que de relance, no nosso caminho.

Somos assim mesmo. Na maioria das vezes damos muita atenção a coisas que não nos dizem respeito em detrimento aos nossos próprios problemas.
Lógico, há quem proceda de forma normal e há quem proceda de forma totalmente anormal.
O querer ser solicito, se extravagante, pode redundar em males inimagináveis ao individuo, ele acaba se abstendo de zelar por si e somatiza todas as agruras daqueles que pretendia ajudar.
O pior é que todo individuo que se presta a agir dessa maneira, vai desenvolvendo uma habilidade monstruosa de querer ser útil que, invariavelmente, cada vez mais potencializa seus insucessos e, transforma suas frustrações em problemas estressantes.
Geralmente, deparamos com pessoas que agem dessa forma e não buscam minimizar suas ações de “bondade humanitária”.
Eu, na minha quase total ignorância, aprendi, mercê das minhas necessidades profissionais, a separar e isolar problemas.
No inicio da carreira como Consultor, era obrigado a ficar isolado da família (na época esposa e duas filhas) pelo período de uma semana quando o trabalho contratado estava situado até um raio de 500 km da sede e, por três semanas quando tinha que trabalhar fora com quilometragem acima.
Tinha que dedicar toda a atenção possível ao trabalho que estava executando. Então, no domingo à noite quando eu vencia o limiar da porta de minha casa para iniciar uma viagem, junto com o fechamento da porta eu fechava meus problemas familiares, minha esposa e minhas filhas. Dali para frente, por todo o tempo que eu estivesse fora, minha esposa, teria de cumprir nesse ínterim o papel de pãe (pai e mãe), resolver os problemas surgidos e, quando muito trocar uma idéia sobre eles comigo, por telefone, à noite no hotel onde eu me hospedava. Telefonema rápido, pois a comunicação era cara e corria sob minhas expensas.
Assim, às duras penas aprendi a selecionar minhas preocupações, coisa que muitos, por mais que tentem, não consigam obter êxito.
Pior, ainda, são aqueles que além de não conseguirem administrar seus problemas, se apiedam com os problemas de terceiros Ed acabam se envolvendo de tal maneira que ao final estão sofrendo mais que os portadores do referido problema. Conseguem somatizar os problemas de tal maneira que acabam até adoecendo, e os causadores dessas situações, ao final, acabam até menosprezando esses coitados apregoando aos quatro cantos que prometeram e não ajudaram.
É necessário que um ser vivente assomado com problemas seus ou mesmo de terceiros, saiba buscar as soluções com racionalidade e coerência. Não obtendo a solução esperada, deve abrir mão da tentativa e esperar que o tempo, um terceiro ou, ainda, o acaso apresente a solucionática necessária.
Como dizia bem dito minha avó: “- O que não tem remédio, remediado está!”
Na atualidade temos como obrigação primária, viver da melhor forma possível, ajudar sempre que possível e sofrer por razão própria ou de terceiros NUNCA!

10.8.09

MEMÓRIAS DA QUERMESSE

Eu não pretendia voltar ao assunto em respeito aos meus leitores de apetite mais afoite e a outros leitores demasiadamente adeptos a uma festança, porem, instado demasiadamente por uma centena de leitores (né Ana Lucia?), decidi voltar ao assunto e prestar meu sincero depoimento sobre a festança que participe no ultimo dia 1º. de Agosto no meu tradicional bairro do Bixiga. Então, vamos ao relato: EVENTO: Inauguração da 83ª. Festa de N. S. ACHIROPITTA, acontecida dia 1º. De Agosto de 2009. Conforme já narrado no texto anterior, euforicamente, me preparei para, voltar á festa depois de quase 50º anos de ausência. 50 anos? Nossa como passa o tempo e a gente nem percebe, me lembro que a ultima festa em que eu participei foi por volta de 1959, quando eu, solteirinho das silva, membro ativo dos Duques de Piu-Piu, após a sessão de domingo no Cine Rex, arrematei no leilão beneficente, em plena Rua 13 de Maio, 1 garrafa de vinho Sangue de Boi que foi imediatamente aberta e consumida. Então, como Bixiguento orgulhoso, veterano das quermesses da Igreja, fui comandando a nossa comitiva composta de 4 pessoas (eu, a Soninha, minha cunhada Claudia e a Kátia, filha da Soninha e, lógico, minha filha assumida). Fomos no carro luxento da Claudia. Ela ao volante e eu, como cicerone assumido, pensando conhecer tudo do que resta ainda do velho Bixiga. Quebrei a cara! A festa que me chegava à memória acontecia na Rua 13 de Maio entre as quadras da Rua Manoel Dutra / Rua Conselheiro Carrão, então tentei chegar perto da festa pela rua Dr. Luiz Barreto. Não deu, a muvuca estava por todos os lados, Dei a ordem de retorno para buscar nova alternativa, meu Deus que coisa horrível, todas as ruas estavam na contramão. Sofrendo a maior gozação das lindas senhoras que me acompanhavam, fui obrigado a fazer um tour bem mais longo, retornamos pela rua Marques Leão, entramos na rua Dr. Seng, Rua Silvia, Rua Itapeva, Rua Rocha (novamente) Praça 14 Bis e, finalmente, Rua Manoel Dutra, até um estacionamento mais próximo da Rua 13 de Maio. Carro estacionado nos dirigimos até a Cantina Oficial. A missão, dito assim parecia simples, o difícil foi vencer a multidão que imobilizava o transito na extensão da festa. Era um mar de gente impedindo o avanço de quem quer que fosse. Eu, coração apertadinho, olhava no rosto de todos na tentativa de achar velhos bixiguenses, amigos ou conhecidos de outrora e nada! Será que só eu havia subsistido à força do tempo? Depois de vários esbarrões, de vencer a massa humana que em fila ordenada aguardava a vez de comprar uma “fogazza”, chegamos ao salão principal ao lado da Igreja. Encontramos a amiga da Claudia que estava nos aguardando com os convites e entramos na Cantina. A festa era típica da italianada alegre que falava alto e gesticulava falando. Senti-me em casa mesmo não encontrando caras conhecidas. Achamos nossa mesa, depois de nos acomodarmos partimos para os finalmente. Claudia e Kátia foram para a fila da “bóia” no intuito de aliviar este convalescente da longa espera. Quando, finalmente, elas estavam próximas da grande mesa, nos avisaram e fomos eu e a Soninha para a fila também. A mesa posta para que os convivas se servissem estava, realmente, apetitosa. Meus olhos, famintos, pousaram sobre os imensos pratos de ante-pastos à base de berinjela (morinhana para os oriundis como eu) preparadas de várias formas. Servi-me de todas as variedades, pimentões também foram para o prato, as maioneses e saladas verdes foram por mim dispensadas, cheguei, então, na parte dos queijos e frios, Salaminho, queijos parmesão e provolone, eu apanhei de montão. Para concluir a mesa me servi de azeitonas pretas enormes e divinamente saborosas. Cheguei em frente a mamma que servia o pão italiano e as polentas fritas tive que voltar para mesa sem a polenta. Não venciam fritar os pedaços. Enfim, pratos astronomicamente recheados, fomos para nossa mesa e, nos fartamos de comer na companhia de 2 garrafas de Lambrusco geladerrimo, alguns refrigerantes e águas. Ah! as massas eram servidas diretamente nas mesas e com minha gula já mais do que saciada, abri mão de experimentar os iguarias. A alegria pairava no ar. A “Banda Felice Itália” enchia o ambiente com as canções napolitanas de todos os tempos, os grandes sucessos de Rita Pavone, Endrigo, e outros tantos cantantes italianos e de Tarantelas animadíssimas, nas lindas vozes de Paulo Walter Spartani e Ingrid Nagçieri. A pista de danças, totalmente lotada por alegres bailarinos que tinham ido para realmente se divertirem, pululava e palpitava acompanhada de inúmeros pandeirinhos acionados por todos os demais que não haviam conseguido chegar até a pista, mas queriam entrar no clima e participar das danças e da alegria. No intervalo das musicas, o Mestre de Cerimônias promovia os leilões das prendas e brindes oferecidos por cantinas do Bixiga (pizzas, pães italianos, pernas de cabrito e outros que tais) ou por patrocinadores da festança. Os convivas presentes, à certa altura da festa, foram agraciados por um show musical nas vozes dos 3 Tenores Brasileiros, Antonio Guido (Nino) Valsani. Armando Valsani e Francisco Romanelli, fizeram um espetáculo digno da festa. Vozes lindíssimas e musicas Maravilhosas. Minha cunhada Claudia, satisfeitíssima por ter ouvido e dançado a musica “nhamo, nhamo, nhamo” (para ela) e “Funiculi Funicolá” para o resto do mundo, por volta da ½, com medo de se transformar em abobora, deu o comando de retirada. Por estarmos de carona e dependendo dela concordamos e fomos embora. Foi maravilhosa a festa e meu retorno a ela delicioso e surpreendente. Recomendo a todos para que façam uma forcinha e passem uns instantes felizes naquele ambiente. Vale a pena!

28.7.09

NOVAS MEMÓRIAS ANTIGAS Nestes tempos de repouso total, a única coisa que tem poder e direito de agitar-se é o pensamento e, consequentemente, a memória. Eles, se já não paravam quando o corpo se agitava, agora estão mais rápidos, lépidos e soltos. Outro dia minha companheira chegou me dando um ultimato: “trata de sarar logo, minha irmão consegui quatro convites para a inauguração da festa de N. S. Achiropitta na barraca principal e, eu quero ir com você!”. Imaginem meu desespero só de pensar que a oportunidade única poderia ser desperdiçada. Com os pensamentos absortos na festa a memória tomou conta do espaço e voltei, de pronto, ao passado quando ainda na minha juventude, o ponto de parida para qualquer “programa” nas noites do fim de semana era a quermesse da Igreja. Lembrei, inclusive, da festa que era realizada antes da inauguração da quermesse, a Procissão de N. S. da Achiropitta. Era algo de maravilhoso. Meus se fecharam e as imaginas voltaram como por encanto. Comecei a visualizar a saída da Procissão, o povo formando alas para acompanhar a imagem da padroeira do bairro que saia em um andor maravilhosamente ornado com flores e muitas cores para uma peregrinação pelas ruas do meu Bixiga. O povo do bairro em perfeita miscigenação ítalo-afro-baziliana, com alguns pitacos lusitanos e outros das várias etnias que haviam adotado o bairro como sua pátria, se não ia para as calçadas engrossar as alas da procissão, ficava em casa, assistindo das janelas e dos balões de suas residências a passagem do cortejo. Para alegrar a Santa, no para-peito das janelas e nas grades dos balcões e varandas, eram estendidas colchas, mantas e toalhas multicoloridas, de vários motivos e acesas velas votivas. Por deferimento e também por interesse pecuniário (sobrevivência da paróquia), o vigário promovia a parada do andor na frente das casas das famílias mais abastadas que, prestigiadas não mediam esforços e depois das preces e homenagens à Santa, faziam generosos donativos. Donativo aceito, o cortejo continuava em busca de outras famílias e, lógico, de outros donativos até qu8e o circuito se completasse e a Santa voltasse à sua Paróquia. Finda a procissão, era promovida a cerimônia final com uma Reza muito concorrida pelos fiéis. Depois da cerimônia religiosa, o vigário fazia uma pequena preleção agradecendo a todos pelo sucesso da homenagem e convidava o povo a se dirigir à quermesse e se divertir com respeito e consciência. Aí a festa tinha início. Antigamente as barraquinhas eram montadas nas calçadas da Rua 13 de Maio no quarteirão compreendido entre as Ruas São Vicente e Conselheiro Carrão. Eram barracas de roleta, pescaria, bolo nas latas, e outras que tais, distribuindo prendas. A maioria das prendas havia sido coletada em doações dos próprios fieis que, na festa endoideciam para ganhar uma delas. Havia a barraca do Leilão onde pratos de iguaria, litros de bebidas mais sofisticadas eram leiloados e chegavam a ser arrematados por valores significativos. Hoje a quermesse se transformou. Ganhou infra-estrutura, embora ainda ocupe um espaço da Rua 13 de Maio, já tem espaço próprio onde as “mammas” fazem suas massas, suas porpetas, suas bracciolas e servem ao populacho que se empanturra com tais delicias. Para falar com franqueza, não sei se gosto mais da antiga quermesse ou da festa atual. Sei apenas que sábado próximo irei usufruir do convite que foi conseguido por minha cunhada e voltarão Bixiga depois do susto que tomei. Aiiiii como eu sofro!!!!!!

23.7.09

OUTRAS
MEMORIAS
PIREPAQUIANAS
Quando somos abruptamente assaltados por um mal súbito e vai parar internado em um nosocômio, tive a certeza ao vivo e a cores recentemente, o amor próprio, a vergonha, a pudicícia vão para o vinagre.
Você, ao retomar a consciência em cima de uma cama hospitalar, verá que todos os valores alimentados por anos, ficaram totalmente invalidados.
Eu acordei na manhã do dia 19 pp, sem minhas roupas, trajando apenas um camisolão que, apesar de poder ser fechado na parte traseira, fora mantido aberto. Lembrei-me do ocorrido na tarde do dia anterior e justifiquei meu estado em virtude da incontinência urinaria de que fui acometido enquanto aguardava os cuidados médicos sentado em um banco incomodo do PS.
Naquele inusitado uniforme fui mantido por uma semana inteirinha. Banhos eu tomava, inicialmente, na própria cama, dados por uma das enfermeiras. Aqui devo abrir um parêntese para homenagear os “anjos hospitalares”, as enfermeiras. Elas cuidam de você com o mesmo carinho e afeto que uma mãe cuida de seus filhos.
Foram elas as causadoras da minha perda da vergonha, da queda do meu amor próprio quando me despiram e me banharam e quando me trocavam as fraldas geriátricas.
Faziam tudo com tanta naturalidade que depois da surpresa do primeiro dia, passei a aceitar os procedimentos com naturalidade.
Quem, como eu, fica internado na enfermaria de um hospital publico, rodeado por mais sete outros internados, não pode se queixar da falta distração. Os companheiros de infortúnio, por si só, podem ser motivo de muitas risadas.
Eu, por exemplo, quando me dei conta da situação, percebi que estava rodeado por pessoas bastante interessantes. Nas camas da frente estavam quatro doentes, contando-os da minha esquerda para a direita, tínhamos um com uma figura bastante acaipirada (não quero dizer boba), fala mansa, modos calmos, mas de grande perspicácia. Em virtude do diabetes, estava cego de uma vista e a caminho de perder a outra. Resignado com sua situação, estava chateado por ter sido apartado de sua família e da criação (criava galinhas) sem ter uma só réstia de esperança para a cura.
Na minha frente, um senhorzinho de cabeça encarquilhada, que depois fiquei sabendo ser violeiro e animador de quermesses e rodeios. Mesmo com a glicemia em alta, era um faminto contumaz, devorava tudo que lhe era servido e, ainda não satisfeito, percorria as bandejas dos demais companheiros de quarto para recolher pães e frutas dispensadas, guardando-as para as horas de intervalo entre as refeições.
Os dois outros internados à minha frente, eram pacientes renais que eram submetidos, todas as notes a sessões de diálise. Dormiam muito durante o dia.
Depois que o caipirão e o violeiro tiveram alta, quase na freta final de minha estadia, foram internados um rapaz negro de muita solicitude, que ali estava para exames pós-cirurgia de extração de um carcinoma bem sucedida nove anos atrás e que agora, parece, tentava retornar.
Outro que foi internado em nosso mundinho foi um senhor que ali estava para avaliação de uma operação cardíaca que, parece, estava querendo descambar. Este senhor, já no primeiro dia, logo na chegada, devidamente acompanhado por sua esposa, ao desfazer a mala, retirou dela um par de chinelos um tanto espalhafatosos na cor verde, olhou frontalmente para mulher e disse: você está querendo que eu use esses chinelos? Se eu sair com eles aqui no corredor, vou ser cantado por médicos, enfermeiros e todos os pacientes. Tô fora!”
Assim, olhando e tentando analisar meus companheiros, os dias passavam mais rápidos e eu me distraia.
Os companheiros deitados do meu lado deverão ser descritos com outras memórias.