1.5.11

MEMORIAS DE BOTEQUIM IV


Dia 6 de Maio 2009, além de ser a data de aniversário de minha filha Rossana (a caçula das meninas), foi um dia muito especial para mim.


Depois de uma jornada de trabalho normal, mesmo sentindo dores enormes nas pernas, me encontrei com a Soninha e fomos à inauguração da exposição das obras do artista Aécio Sarti que foi toda planejada e organizada por meu grande amigo Jose Carlos Barreiro (o Zeca), e que estava sendo realizada em SP no Espaço Cultural do Banco Central, localizado na mais Paulista das avenidas.


Com relação à qualidade das obras nada posso acrescentar além dos comentários da critica especializada e das considerações feitas por Soninha em seu blog Roda de Prosa cujo endereço é: (http://www.rodadeprosa.blogspot.co/,), mas posso dizer que a noite se prenunciava excelente, e foi.


A exposição foi com “boca livre”, champanhe gelado de alta qualidade e canapés variados.


As pernas me incomodavam e a certa altura, roguei que fossemos embora por não mais agüentar o mal estar “pernóstico (???)”.


Saímos da exposição, entramos no carro e seguimos pela Paulista até a Praça Oswaldo Cruz no bairro do Paraíso.


Entramos no Shopping Paulista onde há muitos anos atrás estava instalada a Loja Sears Roebuck, estacionamos o carro, ganhamos novamente a rua e nos dirigimos a uma das mais tradicionais lancheterias de São Paulo, a “PONTO CHIC”.


Eu havia prometido essa visita à Soninha que não conhecia até pouco tempo essa casa de delicias, e iniciá-la na degustação de um dos seus mais famosos sanduíches, o velho e saboroso “ROCOCÓ”.


Necessário se fazer um parênteses nesta altura do texto para explicar como é composto esse lanche tradicional: em um pão Frances ( cacetinho no sul) com seu miolo excluído e aqui em Sampa denominado “canoa”, são colocadas várias fatias de rosbife caseiro, uma quantidade generosa de queijo gorgonzola em pedaços quase transformados em patê, uma outra camada generosa de “alicci al oglio” e alguns pedaços de pepino em conserva, então o lanche está pronto para ser apreciado pelos mais exigentes paladares.



Outro parênteses vou abrir para dizer que este “sanduba” me foi apresentado por um tio, o João, na década de 50, depois de uma sessão de filmes de “far-west” no cine Art-Palácio. Era uma das especiarias do famoso Bar e Restaurante Municipal, instalado na Rua Barão de Itapetininga, quase esquina da Rua Conselheiro Crispiniano, na altura onde hoje está localizada a Rua Nova Barão.


Anos depois, com o Bar já desativado, eu, saudoso, tive noticias que a especialidade havia sido adotada e estava sendo servida no “Ponto Chic”, então no seu único endereço no Largo do Paissandu.


Fui, experimentei, aprovei novamente e continuei a saboreá-la através dos anos.


Bem, retornemos à noite do dia 6 de maio.


Sentamo-nos à mesa, pedimos 2 sandubas Rococó e uma Antarctica estupidamente gelada, e aguardamos o momento de devorar o acepipe.


Servidos, a Sonia constatou que pela quantidade exagerada de ingredientes, não nos seria possível comer o objeto de nossa fome através de simples mordidas, solicitamos, os talheres que foram de pronto oferecidos e, então, nada mais foi dito, apenas e tão somente os peculiares “hummmmmm!”, “que delicia” etc etc e tal.


Para mim, essa noite teve um gostinho especial, um “gostinho de antigamente”.


Foi ótimo!



23.4.11

SELINHO RECEBIDO


Recebi o selinho acima de minha esposa e companheira autora dos textos do blog RODA DE PROSA cujo endereçoé http://www.rodadeprosa.blogspot.com/ , ela nesse blog dá vasão a toda sua verve de grande autor,postando textos deliciosos que merecem ser lidos por todos.
 Fiquei bastante contente com a gentileza.
Agora, atendendo às regras determinadas devo presentear a outros companheiros da blogsfera e faço issom com imensa satisfação. 
Os presenteados são:

reflorescer.blogspot.com
linoresende.jor.br
vivereafinaroisntrumento.blogspot.com
eu-euza.blogspot.com
baiontropifado.blogspot.com

Eapero que meus amigos aceitem a minha singela homenagem e também a divulguem.
A regra é divulgar o selinho em seus blogs e presentear 5 amigos blogueiros que consideerem merecedores do presente.

7.4.11

MEMORIAS DE BOTEQUIM III

Não acreditei! Minhas memórias botiquineiras fizeram sucesso entre meus fãs. Quero crer que eles também gostavam de encostar o umbigo no balcão e petiscar alguns acepipes enquanto bebericavam uns goles de um birinaite (gostaram do termo?) qualquer.

Minhas preferências líquidas eram vastas, eu encarava tudo que me serviam tomando o cuidado, apenas, de não misturar e demasia o conteúdo de cada copo entornado.

Esses néctares eram consumidos e acompanhados, invariavelmente, de quitutes, tira-gostos e outros que tais.

Os botequins eram locais onde se podia fazer esse ritual de bebericar e mastigar com regularidade. Na maioria das vezes eram casas que nos agradavam a sensibilidade e o paladar, fazendo-se, dessa forma, serem consideradas indispensáveis à nossa existência.


Eu tive, na minha atribulada vivencia, diversas casas eleitas como preferidas, algumas delas já mencionadas em textos anteriores, outras vou reverenciar neste texto e, lógico, não terei a capacidade de esgotar o tema por enquanto. Um dia, quem sabe, eu o esgotarei.


Ora muito bem, comecemos a reavivar a memória!


Havia, nas décadas de 50/60 alguns lugares especiais em Sampa onde um excelente “Office-boy” pudesse parar e fazer uma boquinha. Uma dessas casas era um botequim instalado na esquina da Rua José Bonifácio com a Rua Quintino Bocaiúva, exatamente embaixo da Radio Record de São Paulo.


Na porta desse botequim, do lado da Rua José Bonifácio estava instalada uma estufa pra comercializar esfihas e quibes que eram acondicionados em grandes bandejas de alumino. Lembro-me como se hoje fosse, as esfihas eram bem gordurosas, mas fascinantemente deliciosas.


As minhas paradas nesse recanto, quando os trocados permitiam, eram para pedir um oriental, ou seja, um quibe envolto e bem abraçadinho a uma lambuzada esfiha de carne e ambos, devidamente umedecidos por um molho de pimenta bem forte.


Na Rua São Bento esquina com a Rua do Comercio existia outro botequim e uma outra estufa idêntica à da Rua José Bonifácio e, às vezes, quando a grana permitia, eu rematava meu apetite com uma dupla de esfihas ensebadinhas.


Falando em botequins no centro velho de Sampa, me lembro, de imediato da Casa Califórnia que ficava na mesma Rua São Bento, proximo à Praça do Patriarca. Ali, depois de batalhar por um bom tempo e conseguir um pequeno espaço à frente do balcão, eu podia escolher no tabuleiro enorme à minha frente, o suco ou refresco que pretendia saborear que depois de escolhido era batido com a maior presteza em liquidificadores com copos de alumínio muito bem lavados por um copeiro ágil e sempre sorridente que, ainda, se dava ao luxo de gritar o nome do suco que estava derramando num copaço tipo maracanã com bastante gelo.


Nessa casa, alem dos sucos, podiam-se saborear uns sanduichinhos de alicci com salsa divinamente apetitosos ou, então, um sanduíche feito com a verdadeira linguiça de Bragança Paulista, devidamente assada na grelha rolex.


Anos mais tarde,eu passei a freqüentar um botequim que ficava na Avenida Duque de Caxias no quarteirão compreendido pela Avenida São João e a Alameda Barão de Campinas.O nome do referido botequim era BAR CAXIAS e seu “slogan” era “O rei da Limonada”, explicando melhor, limonada nada mais era do que uma caipirinha coada, servida com muito gelo em copos tamanho gigante.


Eu, na época, trabalhando na Penha, saia do escritório por voltadas 17 horas e no interregno entre 17 e 23 horas, ficava nesse botequim, saboreando minhas limonadas e petiscando os mais variados acepipes. Depois, devidamente bebido e comido, saia para minhas aventuras noturnas.

Eu era feliz e nem sabia!


15.3.11

O BAILE

Para comemorar o Dia da Poesia, revolvi meu baú e encontrei uma poesia da minha autoria para publicar nesta data.
Espero que gostem!
Antes a valsa
Alegre rodada,
Ligeira, marcada
Íamos os dois
A rodopiar.
Ouvidos alertas
Os corpos eretos,
Os pés mui atentos
Corações palpitantes
E a valsa a tocar.
Acordes finais,
A valsa acabou.
Pares desfeitos
Olhares refeitos
Posturas,
Mesuras
Todos perfeitos
Num canto afastado
Olhar estudado
Instinto aguçado
Me sinto enlevado
Te olho
Me olhas,
Sorrio
Sorris.
Te chamo
Tu vens.
Recomeça a música
Reconheço o ritmo
Nada mais sugestivo
Bolero.
Quiçás, quiçás, quiçás...
Te enlaço e
Bailamos,
Aos sonhos nos entregamos
Quiçás, quiçás, jamais!
Te beijo,
Me beijas.
os olhares se cruzam,
os lábios unidos
não podem falar.
As mãos aloucadas
Em busca frenética,
Te apalpam,
Me apalpam,
Com força,
Sem meta,
Instintos acesos,
Voamos com as pernas
Corremos com afã,
Buscamos a alcova,
Dos nossos delírios
Dos nossos desejos
Te dispo,
Me dispo,
Te abraço,
Me abraças,
Sinto teu peito arfar,
Vejo teus seios
Subirem e descerem
No ritmo de tua respiração.
Minhas mãos percorrem,
Sem rumo ou nexo
Teu corpo, tuas pernas.
E então fazemos amor,
Nos consagramos ao sexo.
Depois,
extenuados,
Num abraço apertado,
Dormimos apaixonados

25.2.11

MEMORIAS DE BOTEQUIM II

Não tenho muito com que me ocupar no decorrer dos dias, então só me resta, como recurso extremo, lembrar de meu passado.
Faço isso com denotada alegria, mesmo porque, tal atividade pode me afastar do terrível alemão que ronda pessoas da minha idade, o grande facínora “Alzheimer”.
Pois muito bem, percebi que o meu texto sobre botequins teve plena aceitação entre os meus fãs, resolvi, então, fazer mais uma incursão ao passado e buscar outros botequins de meu real agrado.
Confesso, eram muitos, se fosse levar a cabo o registro de minhas Memórias de Botequim muitas e muitas linhas teriam de ser digitadas e editadas.
Por exemplo, tinha um botequim em Pinheiros, bem pertinho da Igreja de Pinheiros (Nossa Senorado Monte Serrat), onde eu cometia um enorme pecado ao longo de vários domingos do ano. Eu morava no Jaguaré e acompanhado da mulher e filhos, saia mais cedo para o almoço dominical e fazia a primeira parada nesse bar, a Igreja tão próxima nem tinha o prazer de nossa visita.
Era uma casa de dimensões tão diminutas que a freguesia que não tivesse chegado cedo, ficava aboletada nas calçadas e fazia seus pedidos aos gritos. Lógico, todos eram atendidos, assim, enquanto segurávamos os copos com uma das mãos, outra devorava as porções de tira-gostos (queijo provolone, linguiça calabresa seca, ricota seca apimentada, berinjela ao forno, sardela, aliccella, pão italiano).
A habilidade dos balconistas em preparar as batidas e caipirinhas era impressionante, a variedade de bebidas adicionadas a cada drinque era segredo de estado, não transmitida a ninguém. E nós, pouco interessados em segredos, queríamos, apenas, degustar daqueles acepipes e néctares sem culpa na consciência.
Outra lembrança de botequim me ocorreu agora e, para não perder a oportunidade passo a relatá-la.
O Antonio Capezzutto, um dos Duques de Piu-Piu, era funcionário antigo da Fábrica de Cigarros Sudam, instalada na baixada do Glicério, em nossa Sampa.
A nossa solidariedade era tanta que eu, trabalhando no 5060 da Avenida Celso Garcia (Penha) e o Antonio Settani trabalhando na Pontal, estabelecida na Avenida do Estado, altura do Cambuci, diariamente íamos encontrar o Capezzutto na saída do trabalho para, juntos, vencermos as íngremes subidas do caminho até o nosso querido Bixiga.
Porém, de quando em vez, sedentos de um dia repleto de lutas e labutas, resolvíamos, antes de encetar nossa caminhada, visitarmos um botequim instalado na Rua Helena Zerrener, bem próximo da Sudam.
Ali, matávamos nossa sede com algumas doses de batidas de coco, de amendoim ou, então, de caipirinhas e para acompanhar essas delícias, pedíamos algumas porções de “Joana D’Arc”, essa delícia era preparada da seguinte forma: alguns gomos de linguiça calabresa fresca, acomodados em um recipiente e cobertas com álcool. Depois de acomodadas, um fósforo era riscado e o fogo ateado. As linguiças assavam ao fogo de álcool e depois eram servidas, tendo como acompanhamento, fatias de pãezinhos (no sul, cacetinhos).
Depois de abastecidos, iniciávamos a caminhada para o lar, vencendo as subidas da Rua dos Estudantes, Rua Antonio de Lima, Rua São Paulo, Rua Américo de Campos, Avenida da Liberdade, Rua Condessa de São Joaquim, Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, onde o trio se dissipava; eu ia para a Rua Major Diogo, o Capezzutto para a Rua 13 de Maio e o Settani para a Rua Santo Antonio.
Tempo bom, que não volta mais...

12.2.11

MEMORIAS DE BOTEQUIM

Vamos relembrar a década 50. O ano? Pode ser 1956, não importa. O que importa mesmo é o que a minha memória foi buscar La escondidinho, nos recôncavos de uma mente tão cheia de preocupações. Outro dia, conversando com minha esposa ouvi dela que durante o dia, em um desses programas de TV onde se cultua a arte da culinária, ela havia aprendido um prato formado por frango na cerveja e polenta. Estávamos a avaliar o sabor desse prato quando ela, num relance de lembrança, disse que além desse prato o programa havia apresentado a receita do ”bolovo”, ou seja, o bolinho de ovo cozido e empanado. Confirmei que tal bolinho foi, sempre, um dos meus favoritos quando tive de encostar meu umbigo no balcão de um botequim. Conversa vai, conversa vem, falando dos botequins da vida, veio, de supetão, uma deliciosa lembrança. Lembrei que quando eu era o melhor Office-boy de São Paulo e, trabalhava na Condemar lá na Rua Senador Feijó, tinha um balcão de botequim que eu fazia questão de me encostar. Era um pequeno bar na Rua Padre Adelino, quase na frente do famoso Lanifício Fileppo. Sempre que surgia uma fatura para ser entregue ou, então, uma amostra de fio para ser levada até lá, eu fazia questão de ser o portador. Ia, quase sempre, em horários próximos do almoço. Apanhava o ônibus na Praça da Sé e antes de chegar ao Lanifício ou depois de lá chegar e fazer minha obrigação, eu parava no pequeno barzinho. Atrás do balcão, servindo clientela, estava, sempre, uma senhora. Tinha ela a aparência de uma “mamma”, na cabeça um lenço estampado, protegendo a barriga um avental. No rosto um sorriso enternecedor e mantendo na estufa em cima do balcão umas polpettas fritas, divinamente deliciosas. As polpettas eram bem fritas e sequinhas, uma verdadeira delicia Já sabendo a minha pedida, ela colocava a porção de seis unidades do divino quitute, abria uma garrafa de guaraná da Brahma estupidamente gelada e me deixava saborear o almoço tão ambicionado. Essa lembrança, que pena, jamais poderá ser repetida. A “mamma” com suas polpettas não mais está ali estabelecida e, infelizmente, já não existe o Guaraná Brahma.

7.2.11

MEMORIAS GARRAFAIS

Sou, orgulhosamente, brasileiro e paulistano, mas minha descendência ajudou a forjar minha personalidade. Sou neto de sírios por parte de pai e meu avo, por parte de mãe era italiano, melhor ainda, napolitano. A nacionalidade da minha avó materna, que não cheguei a conhecer, era russa e foi criada desde muito pequena na França. Assim sendo, sou uma salada internacional em se tratando de formação sanguínea. Vai daí que a minha característica artística deve ter vindo da parte italiana, e a minha queda comercial da parte síria. Todo esse preâmbulo eu fiz para iniciar o relato desta minha memória. Os anos eram os primeiros da década de 50, eu morava, como muitos já sabem, na Rua Augusta 291. Já contei também que a casa era antiga, de pé direito muito alto e agora acrescento uma informação, ela tinha um porão com mais de um metro de altura, utilizado para guardar tranqueiras, coisas obsoletas, livros antigos, garrafas e litros vazios que eram bastante importantes naquela época. O porão ocupava a totalidade da área construída e na sua parte fronteira, tinha pequenas janelas resguardadas por grades de ferro e ficavam a pouco mais de 30 centímetros do piso da calçada fronteiriça. Nos primeiros compartimentos desse porão, eu, meu irmão e meu primo, havíamos delimitado o nosso reino de fantasia. Ali brincávamos, guardávamos nossos poucos brinquedos oficiais e os muitos brinquedos de faz-de-conta que construíamos. Como um verdadeiro Rei, por ser o mais velho, eu não permitia aos demais componentes daquele reino a ultrapassagem para as demais dependências daquele escuro porão. Para lá só um verdadeiro e heróico rei poderia fazer incursões e eu as fazia e, nessas minhas explorações eu dava vazão não só ao meu espírito aventureiro, mas, também, ao meu espírito de comerciante. No meio desse porão ficava o deposito de garrafas e litros vazios av. A mim cabia, então, a importante tarefa de transportar essas preciosidades até as janelinhas frontais do porão e, depois, na primeira oportunidade, já na calçada, resgatá-las com cuidado, e oferecê-las no empório que ficava na esquina da Rua Caio Prado com a Rua Augusta, para o “seu José”, proprietário do estabelecimento, que as comprava de muito bom grado. As verbas obtidas nessas transações eram aplicadas em doces, sorvetes e ingressos nas matinês do Cine Odeon para assistir aos seriados de Dick Tracy, O Cobra, e os filmes de Esther Willians, Doris Day, Fred Astaire e muitas outras celebridades. Essas aventuras financeiras duraram muito tempo, eu até pensava que elas não teriam mais fim. Um dia, sem mais nem menos, minha fonte de rendas foi descoberta. As garrafas já em fase terminal assustaram minha mãe, minha tia e meu avô. A falta das garrafas já transacionadas promoveu uma grande surra neste que lhes escreve e, como castigo, um mês sem cinema e guloseimas. Hoje, ao me lembrar do caso tenho mais convicta ainda, certeza de que não tive a mínima culpa em toda a estória, a culpa é devida, totalmente à minha descendência oriental.

27.1.11

MEMORIAS DE UM COMILÃO

Já falei, por diversas vezes, dos Duques de Piu-Piu, um grupo de 6 elementos que só se largavam para trabalhar e para dormir. Éramos mais que irmãos, éramos e somos, ainda, amigos inseparáveis, independente do tempo ou da distancia. Nunca, em minha quase centenária existência, conheci pessoas tão unidas. Tínhamos nossas desavenças, mas passageiras, quase sempre superadas após alguns momentos. Nossas estórias são muitas, hoje decidi contar uma delas. Num certo domingo na década de 60, como fazíamos sempre, depois do almoço, e aqui preciso fazer o primeiro registro memorável: Um dos “duques”, de nome Francisco ou Chico, ou ainda 21, era possu8idor de um apetite voraz. Aos domingos ele costumava fazer a “via sacra” na hora do almoço. Almoça as 11 h em sua casa, seguia, depois para a casa do Cappezuto, onde novamente fazia uma boquinha, depois descia a 13 de Maio e chegava da Dr. Luiz Barreto onde morava o Xiribi e, ali, novamente comia seu pratinho, em seguida era a vez da minha casa e, ali comia de novo, só terminava de almoçar na Rua Santo Antonio, na casa do Toninho. Esse ritual era sagrado. Pois muito bem, nesse domingo em especial, depois dessa comilança toda, seguimos, todos, para a Avenida Ipiranga onde, logo após o famoso cruzamento da São João com ma Ipiranga, no primeiro andar de um prédio que tinha, na loja, a agência do Expresso Brasileiro, existia um clube de nome Centro Social Brasileiro e, ali, costumeiramente, dançávamos a tarde toda ao som de “Pìck-Up e Sus Negritos”. Naquele domingo, a frequência no clube estava pequena, as meninas, quem sabe, por causa do calor, não haviam comparecido. Foi então que o Xiribi perguntou: - Já que não temos ninguém para dançar, que tal embarcarmos num ônibus do Expresso Brasileiro e irmos tomar cervejas e comer mexilhões na praia? Lógico que ele estava sugerindo uma visita a um velho restaurante na orla da praia de Santos, no Gonzaga de nome A Balneária. Lógico, também, que todos aceitaram a idéia. Descemos as escadas, compramos as passagens e embarcamos no primeiro ônibus. A descida foi cheia de brincadeiras enquanto o ônibus ia vencendo as curvas da Via Anchieta. Por fim descemos no Gonzaga e no dirigimos ao famoso restaurante. No horário de nossa chegada, o almoço já havia terminado há muito tempo, que dizer dos aperitivos e dos ante pastos onde se enquadravam, com perfeição, os pratos de mexilhões. Não nos estressamos, pedimos os benditos mexilhões e cervejas para o acompanhamento. O garçom que nos atendeu foi solicito e, como o movimento estava bastante fraco, conversava e brincava com todos nos. De repente, não mais que de repente, eis que o 21 dá o ar de sua graça e pergunta ao garçom: Amigo, estou com fome, será que tem uns pãezinhos para acompanhar os mexilhões? O garçom, mesmo achando estranha a pedida, foi lá dentro e voltou com 3 pãezinhos informando que pelo adiantado da hora o Restaurante ao tinha mais pães para oferecer. O 21, por sua vez, devorou as 3 unidades em pouquíssimo tempo. Depois, chamou o garçom e perguntou se ele não conseguia mais pão. Ele reafirmou que não tinha mais, vendo, porém, o semblante de desanimo do 21 disse: O Restaurante não tem, mas eu tenho 4 bengalas grandes que comprei para levar para casa, se quiser posso vendê-las. O 21 aceitou de imediato e nem perguntou o preço. O garçom, então, disse: Se o senhor comer as 4 bengalas, sem qualquer acompanhamento, só podendo tomar água para ajudara descer, não precisa pagara conta. Nós, preocupados, tentamos aconselhar o garçom a não fazer aquela bobagem, mas ele não acreditou e a aposta foi selada. O 21 começou a dar tratos aos pães colocados à sua frente. Cada pão que ele devorava o garçom apresentava um semblante mais preocupado. Pronto, devorado o ultimo pão, o garçom desolado, ao ouvir do 21 se tinha mais uns pãezinhos de sobremesa, de imediato se prontificou a quitar sua aposta. Nós não permitimos. Sabíamos que o valor de nossa despesa estava muito acima do valor que ele ganhava com o dia de trabalho. Ele agradeceu e afirmou que nunca mais duvidaria de afirmações daquela natureza. Naquela altura, o tempo havia mudado uma garoa forte caia sobre nós, pagamos a conta e fomos atrás de passagens para o retorno a Sampa, felizes da vida. Como eram boas essas aventuras da mocidade!

23.1.11

MEMÓRIAS DE UM TORRESMINHO A PURURUCA

Ano de 1968, eu e da, Cida, já havíamos nos mudado da casa de minha mãe e estávamos morando na Rua Maria Jose 27. A época era de vacas magras. Eu sem emprego e ela trabalhando pelos dois numa empresa de persianas na Rua Augusta. A grana era apertada, além do salário dela o que pingava era alguns expedientes que eu fazia, um ou outro cachê teatral e nada mais. Um dia, sem nada para fazer e ocupar o tempo, resolvi colocar meus atributos de mestre cuca para funcionar e consultando os bolsos percebi que tinha o suficiente para comprar uma barrigada de porco e preparar um pratarraço de torresmos (minha perdição até hoje). Decisão tomada, fui em busca da matéria-prima, comprei, levei para a casa e comecei a preparar o quitute. Primeiro depilei a peça livrando-a de todos os pelos existentes, depois cortei a barrigada (estava linda e carnuda) em pequenos cubos e coloquei todos os pedacinhos em uma panela grande. Consultei o relógio, eram quase 17h, tempo suficiente para que o acepipe estivesse pronto para a hora do jantar. Acendi o fogo e coloquei a panela devidamente tampada sobre ele. Liguei a TV e comecei a assistir um programa qualquer. Lembro-me que a programação não estava conseguindo me entreter, fui até a cozinha, consultei a panela e vi que a banha começava a derreter. Decidi, então, ir ao encontro da minha amada que já deveria ter saído da empresa e, pelo adiantado da hora, deveria estar na altura da Major Diogo, a caminho de casa. Consultei novamente a panela e saí. De fato, encontrei dona Cida na Rua Major Diogo quase esquina com a Rua Dr. Ricardo Batista, e fomos caminhando para casa. No caminho, resolvi parar no Bar Urupês e comprar duas cervejinhas que seriam o acompanhamento líquido dos torresmos. Parei, ainda, na Padaria 14 de Julho, e comprei um pão de peito (pão italiano de forma redonda que os oriundi fatiavam de encosto ao peito) e, por fim, chegamos em casa. Nossa casa era um apartamento tipo sobrado. Subimos a escada e antes de concluir a subida, já sentimos um cheiro estranho no ar. Abrimos a porta da entrada e... Credo! Uma fumaceira nos envolveu totalmente. Incêndio? Perigo? Nada me esclarecia. Decidido, heroicamente entrei e atravessei o longo corredor que levava à sala e depois à cozinha, a fumaça era cada vez mais densa e o cheiro (fedor, para falar a verdade) era quase insuportável. Só ao adentrar a cozinha pude verificar que o fumacê tinha início na panela do torresmo. Apaguei o fogo, destampei a panela e... Que decepção, um monte de pedaços de carvão ressequidos e esfumaçados, grudados no fundo da panela. Concluí que o nosso jantar tinha ido para as cucuias. Tudo por causa de um ato de carinho e cavalheirismo da minha parte. O pior foi que o mau cheiro impregnou-se nas paredes e opor um grande número de dias nos fez lembrar, enojados, da ocorrência. Ah! Naquele dia o jantar foi pão italiano, uma salada de sardinhas de uma lata encontrada perdida no armário e cebolas que ainda existiam na geladeira. Tudo isso acompanhado de 2 cervejinhas geladérrimas. Torresmo que era bom, ficou na saudade!e-mail do autor: misagaxa@terra.com.br

14.1.11

MEMÓRIAS DE ESQUISITICES CULINÁRIAS

Hoje lendo textos antigos tive a memória voando lá para o final década de 50 e resolvi escrever sobre isso. No final dessa década eu tinha sido admitido, por interferência do meu amigo, irmão e compadre, o finado Antonio Settani, nos escritórios da Comercial e Importadora Restinga, para substituí-lo uma vez que ele havia sido transferido para gerenciar a fabrica que estava instalada na Avenida Celso Garcia 6090. Essa empresa era uma laminadora de ferro para construção que trefilava lingotes de diversas bitolas em barras de ferro 3/16¨. Tempos depois, com a venda da empresa para o Grupo Pontal o Toninho foi transferido para os escritórios do Grupo e eu, na cola dele, fui assumir o seu cargo de gerente da laminadora agora batizada como Alpont. Para melhor ilustrar esta narrativa, hoje, depois de todos esses anos, depois de todas as mudanças de urbanização, no local ainda existe uma empresa do ramo, a Ferro e Aço N. S. de Fátima. Bem, vamos deixar de digressões e voltar ao tema principal de minha narrativa. Desde muitos anos antes de eu ser admitido na Restinga, mesmo antes do Toninho para ser transferido para a Gerencia da Fábrica, um funcionário já exercia ali as funções de mestre (hoje Gerente de Produção), seu nome, Nicola Mastropietro, conhecido popularmente como Pedro. Conhecedor profundo de todas as mumunhas da profissão, homem de coração boníssimo, morador da Vila Ré e bastante meu amigo. Esse era o Pedro que eu conheci naquela empresa. Almoçávamos juntos, todos os dias, numa padaria logo depois do pontilhão da Central do Brasil. Éramos verdadeiramente dois bons garfos e na hora do almoço não nos fazíamos de rogados, batíamos pratos dignos de espanto. Às vezes, nas segundas-feiras, o Pedro fazia uma surpresa e trazia para o almoço quitutes que dona Lidia, sua esposa, havia preparado no domingo. Ora era uma generosa porção de pés e rabinhos de porco, ora uma rabada, ora uma galinha ao molho pardo, e coisas que tal. Um segunda-feira normal, quando cheguei à fábrica, o Pedro me disse com euforia: - Migué se prepara que o almoço hoje é especial. Em assim sendo, fiquei na expectativa, a espera da hora de saborear o quitute por ele trazido. Como de costume, um pouco antes da hora da bóia, tomei um trago da pinga especial que mantinha guardada no cofre e esperei servir o almoço. O Pedro, todo cheio de salamaleques, chegou com as marmitas já quentinhas e abriu-as. Nelas estavam o tradicional arroz, o feijão de caldo grosso e perfumado, e uma carne ensopada com batatas de aparência convidativa. Informou, então, que iríamos comer um coelho preparado com todo o capricho. Não tive duvidas, ataquei a comida como se fosse a ultima refeição da minha vida. Comemos, eu e ele, até nos fartarmos. Terminada a refeição o Pedro levantou-se, pegou um dos compartimentos da marmita, que havia ficado até então fechadinho, e dizendo-me ser a hora da sobremesa, aproximou a marmita para bem perto e a abriu ao mesmo tempo em que soltava estrondosa gargalhada. Dentro dela, devidamente acondicionada, estava a cabeça do gato que transvertido de coelho nos havíamos almoçado. No primeiro minuto levei um susto, mas depois, sopesando a delicia do almoço aplaudi a surpresa e fiz com que ele prometesse uma nova refeição idêntica para muito em breve. Foi mais uma das esquisitice gastronômica que vivi em minha existência.

1.12.10

AMIGAS, AMIGOS E POSSÍVEIS VISITADORES DESTE MEU CANTINHO DE RABISCOS, EM VIRTUDE DO ALTO NUMERO DE VISITAS QUE TEM OCORRIDO NOS ULTIMOS TEMPOS POR AQUI, ME SENTI OBRIGADO A TOMAR UMA DECISÃO RIGOROSA: "A PARTIR DESTE MOMENTO DAREI UM TEMPO NOS MEUS RABISCOS DESTE BLOG" A QUEM INTERESSAR POSSA, CONTINUAREI A POSTAR NO BLOG http://www.memoriasdesampa.com.br/ ONDE AGUARDAREI, COM PRAZER A VISITA DE TODOS OS MEUS SEGUIDORES. MIGUEL CHAMMAS

10.11.10

MEMORIAS DE UM POBRE CONSULTOR

No Brasil as características regionais são bastante acentuadas e na minha carreira profissional tive algumas provas disso. Por volta de 1970, estava no interior do Rio Grande do Sul, exatamente na Aldeia de São Pedro do Sul, executando um trabalho de Consultoria de Organização em uma empresa de beneficiamento de arroz. Já perfeitamente entrosado com o pessoal, amenizava minhas críticas técnicas com conversas que aliviavam as tensões e versavam, geralmente, sobre futebol, política, mulheres ou comida. Depois de vários papos, sabedores de minhas tendências carnívoras à mesa, fui informado que seria homenageado com um jantar no “Clube do Bolinha” que ficava na casa do Contador e. que o prato principal seria RATÃO DO BANHADO (*). Fiquei assustado, procurei saber o que era realmente o tal ratão do banhado e me assustei mais ainda, era realmente um rato, dizia a enciclopédia, que vivia no banhado e se alimentava de brotos de arroz. Temeroso, evitei comentar o assunto no intuito de passá-lo para o esquecimento, coisa que acontecia na maioria das vezes, mas desta vez não aconteceu. Assim sendo, na última semana do trabalho, exatamente na terça-feira, um pouco antes da hora do almoço, o contador, que não tinha comparecido no período da manhã, chega à empresa me chama e pede que eu olhe a caçamba de sua caminhonete. Olho e deparo com pelo menos vinte ratos, enormes, mais ou menos 40 cm. cada um, mortos e perfilados Tremi, não conseguia me acreditar degustando aquela iguaria. Tentei abreviar meu retorno para São Paulo, nada adiantou e, na Quarta-feira à noite fui delicadamente arrastado para o local do jantar. Em um galpão, nos fundos da casa do contador funcionava o tal Clube, ao entrar encontrei a mesa posta com de saladas, temperos vários e diversas peças de pão caseiro. Logo foram abertas garrafas de excelente vinho e eu, achando-me muito esperto, pensei que conseguiria enganar meus pares, comendo apenas saladas, pão e vinho. A conversa estava animada, e eu usando de toda a p;icardia que havia obtido mercê minhas investidas em teatro e circo, procurei manter-me descontraído evitando, dessa forma, levantar qualquer tipo de suspeita dos demais comensais, para as minhas verdadeiras intenções. Eis que, em certo momento, os assados ficam no ponto. São colocados à mesa e o dono da casa, sem muitas delongas entrega-me o primeiro quarto traseiro de um dos bichinhos para provar e aprovar. Silencio geral, todos aguardam minha decisão, sem condições de recusar a oferta, tento ainda continuar a conversa segurando numa das mãos o copo com vinho e na outra o famigerado pedaço daquele rato assassinado e assado. Depois de perceber o insucesso da minha tentativa, fecho os olhos, levo o pedaço à boca e dou uma mordida. Antes tivesse experimentado o ratão há mais tempo, foi ótimo... (*) De conformidade com Aurélio: S. m. Bras. Zool. 1. Mamífero roedor, octodontídeo (Myocastor coypus bonariensis), do Paraguai, Uruguai e RS, hoje criado comercialmente, para aproveitamento de peles, em vários países. Dorso com tons de negro e amarelo-escuro, ventre e lados do corpo amarelo-brunáceos, e dedos posteriores reunidos por membrana natatória. Mede 60cm de corpo e 45cm de cauda. Tem hábitos aquáticos. [Sin.: ratão-d'água, nútria, caxingui. Pl.: ratões-do-banhado.]

7.9.10

Como me faltam inspiração e tempo e, ainda, por faltade interesse dos meus antigos leitores, hoje vou postarum conto antigo. Senhoras e senhoritas, o tema é um tanto quanto escabroso!

O PRESENTE

Entrei no elevador e, só para me garantir que estava dentro do horário, olhei meu relógio, faltavam 5 minutos para as 21:00 horas, não iria haver qualquer problema de atraso, mesmo que o elevador viesse a encrencar, e me mantivesse preso por tempo incalculável, Suzana saberia, de uma ou outra forma, que eu estava presente e me aguardaria sem mágoas. Lembrei-me da semana passada, quando um cliente, atrazadinho, me segurou no escritório por mais de 2 horas, fazendo-me faltar ao encontro marcado com Suzana e transformando-a numa verdadeira fera de esbravejar, de me dizer poucas e boas, me evitou por cinco dias seguidos, não atendendo meus telefonemas nem respondendo aos meus insistentes recados. Só hoje, na parte da manhã, como se nada houvesse acontecido, ela me ligou, toda carinhosa, perguntando quando eu iria aparecer, já que estava doidinha de saudades. Marcamos novo encontro para a noite, por volta das 21:00 horas sem faltas ou desculpas. O telefonema me deu um novo animo, conclui até que já estava bastante amarrado nessa mulher. Essa conclusão não me desagradou nem um pouco, até me deu uma certa alegria. Lembrei-me daquele corpo esguio, moreno e curvilíneo, daquela pele aveludada e perfumada e um calafrio correu todo o meu corpo, dos pés à cabeça, ou melhor à nuca. Logo após desligar o telefone, saí do escritório e fui comprar um presente para Suzana, queria limpar minha barra definitivamente com Suzana. Agora aqui estava eu, subindo até o sétimo andar para cair nos braços dela, beija-la em profusão e ardentemente, sentir seu corpo quente e aconchegante me convidar para mais uma noite de prazer e loucuras. Não sei se foi pressentimento ou ansiedade, mas assim que abri a porta do elevador Suzana também abriu a porta do apartamento e, vendo-me, correu para me abraçar e beijar. Naquele momento, fiquei um tanto atrapalhado, não sabia se largava a porta do elevador, se abraçava Suzana com todo o ardor que corria em minhas veias ou, ainda, se continuava a segurar os dois pacotes eu que tinha levado para dar-lhe de presente, ou largava-os para segura-la com mais ímpeto. Passada a euforia do reencontro, entramos no apartamento e ela fechando a porta se jogou novamente em meus braços e me deu um beijo recheado de loucura. Seus lábios escancarados permitiram que sua língua, ousadamente, vagasse por minha boca, acariciando minha língua e levando-me às alturas. No intervalo entre um beijo e outro, lembrei-me dos presentes e lhe entreguei, cobrando antes mais um alucinante osculo (a estonteante euforia daqueles beijos me permite usar este sinônimo um tanto quanto antiquado). Beijou-me e, sem perda de tempo abriu o primeiro pacote, justamente o que continha uma caixa de deliciosos bombons com recheio de cerejas e licores variados. Adorou e me perguntou se não achava que aquele regalo poderia tirar um pouco de sua forma física, o que eu rebati com veemência, afirmando que seriam importantes para ajudá-la a recuperar as forças que certamente ela iria gastar naquela noite. Logo em seguida, ela desembrulhou o outro pacote e percebendo que era um conjunto de calcinha e sutien, rendado e na cor preta. Olhou, adorou e disse-me que era perfeito para o início daquela noite que ela pretendia tentar fazer inesquecível. Concordei e, assim, ela sumiu para dentro do quarto só retornando depois de trocar toda a sua roupa, e vestir, apenas, aquele joguinho de lingerie que eu havia lhe dado. Meu Deus, ela estava deslumbrante, apetitosamente deslumbrante. Seu corpo moreno tisnado pelos raios de sol, contrastado com aquelas minúsculas áreas de rendas negras, que criavam um certo clima de penumbra, projetava-se para mim, convidando-me a mergulhar naquela praia de prazeres e buscar no âmago de minha consciência, a ousadia suficiente para abrandar os eflúvios de loucura que emanavam daquele vulcânico organismo. Não mais me contendo, enlacei aquela cintura e com um pequeno esforço a trouxe para perto de mim. Senti suas partes inferiores se achegarem e transmitirem uma cálida nuvem de vapor que provocou ainda mais o meu desejo, naquela altura quase que impossível de ser refreado. Deitei seu corpo no sofá que já nos acolhera, em outras ocasiões, para permitir que, abraçadinhos, assistíssemos um programa de tv ou um filme interessante e, cada vez mais deslumbrado com a beleza escultural das suas linhas suaves e marcantes, comecei a beijá-lo com delicadeza, à princípio, e em total loucura a cada momento que os ponteiros do relógio, na parede à minha frente caminhavam. Meus lábios percorriam de cima abaixo, aquela pele sedosa, beijando-a, lambendo-a delirantemente. Ela, possuída de um desejo eletrizante, torcia-se toda, gemendo de desejos. Continuando a minha prazerosa sessão de beijos, não me contive, abri o fecho do sutiam e deixando livres seus fartos e firmes seios, iniciei uma série de beijos que cada vez mais os enrijecia. Seus mamilos estavam de tal forma retesados que, num relance de desatenção, pensei, poderiam ter rasgado o novo sutien, se eu não o tivesse retirado. Fartei-me de lambê-los e chupa-los, enquanto ela, cada vez mais, se contorcia. Desci, então, minhas mãos e com veemência, arranquei aquelas poucas rendas que lhe cobriam a melhor parte do ventre. A calcinha, retirada conforme pude verificar na manhã seguinte, foi ficar no local onde minha cueca, depois, cairia por cima dando seqüência àquela loucura geral. Entreabri suas coxas e, olhando com significativa volúpia, aquela maravilhosa bifurcação de lábios carnudos e avermelhados, umedecidos, latejantes, cálidos, sedutores não mais me contive, coloquei minhas mãos sob suas nádegas e com ligeira mas decidida pressão trouxe seu corpo para perto de meu rosto, fazendo com que meus lábios, ousados, em vertiginosa seqüência, beijassem aqueles lábios desnudos de qualquer subterfúgio têxtil ou rendado. Suzana, nessas alturas, sem conseguir conter-se, iniciava seu primeiro de muitos orgasmos daquela noite e, foi muito bom sentir todo aquele prazer. Aquele gozo irradiando um prazer extremo, o cheiro de sexo cada vez mais forte e inebriante, não me permitiram parar de beijar aquele túnel de amor, e eu continuei, por um bom tempo ainda. Agora, quase que totalmente extasiado mas tinindo por um prazer ainda maior, terminei de arrancar minhas roupas, sem saber para onde ou como joga-las longe de mim. Livre delas, trouxe Suzana para o chão onde até então estivera de joelhos, como se rezando naquele oráculo divino, e sem maiores preparativos, apenas com o desejo à flor da pele, iniciei a penetração que mais inebriante e fantástica até então experimentada. Suzana, sob meu peso, gemia e chegava aos gritos de um prazer incontido, em alguns momentos, temi pelo exagero daqueles bramidos de prazer, afinal das contas, estávamos em um edifício residencial, rodeados de pessoas normais ou anormais, que poderiam sentir-se ofendidos com tais lampejos de orgia sexual. O desejo e o prazer daquele momento não me deixavam com tempo suficiente para elucubrações mais alusivas ou cabíveis, voltei minha atenção, imediatamente, para a continuidade daquele ato quase sacro, mágico, inebriante. Senti o prazer chegando ao mesmo tempo em que Suzana se preparava para um novo orgasmo, não mais tentei refrear a chegada do gozo, larguei minhas amarras e libertei a ejaculação. Senti que, ejaculando, terminava de preencher de prazer, todas as partes ainda vazias daquele túnel delicioso. Suzana, sentido aquele soro quente e aderente, gritou mais forte e liberou seu orgasmo, chegando, quase, à loucura total. Devo confessar que foi magnífico ! Estonteante ! Prazeirosissimo ! Tivemos, naquela noite outros momentos de prazer, mas nunca, em nenhum momento, foram iguais ao primeiro que, por sua inusitada grandeza, ficou registrado em minha memória e hoje, tento descrever nesta crônica. Infelizmente, não consegui com todo vernáculo disponível, transmitir a totalidade da emoção daquele ato. Mas tentei, o clímax dessa narrativa fica sob responsabilidade de cauda um dos meus leitores. Só posso garantir que Caberá a cada um de vocês, buscar nos registros de memória, todos os seus experimentos sexuais para poder dar a este relato as suas cores e beleza real. Foi, por incrível que possa parecer, a melhor e maior retribuição de um pequeno e simples presente. Ah ! Quase ia me esquecendo, a caixa de bombons, que era parte do meu presente de reconciliação, foi consumida, quase que toda, nos preâmbulos daquele ato, quando sofregamente beijava aqueles lábios inferiores na posição geográfica, e superiores no prazer e nas delicias do sexo. Fica aqui a sugestão, experimentem...

17.7.10

CADÊ TODO MUNDO ??????? O homem é, por natureza, um animal gregário. São poucos os homens que se dedicam ao retiro total e absoluto. A sociabilidade é inerente do ser humano. A reunião é comum a todos os seres humanos, independente da profissão, raça, cor, condição social. Até os facínoras, os bandidos e outros que tais se reúnem e se dedicam ao grupo de iguais. Eremitas não são comuns neste plano terráqueo. Eu, por minha índole, sou absolutamente social e comunicativo. Gosto de viver rodeado por pessoas, sou expansivo e brincalhão. Não sei ficar calado ou isolado do mundo. A internet, para mim, foi um precioso achado. O mundo blogueiro, então, tornou-me um participante ativo e constante. Foi nessa esfera que consegui grandes amigos. Todas as coisas que escrevi, boas ou más, eram efetivamente comentadas e esses comentários eram bálsamos a minha solidão. Olhando para trás percebi que muitos já cruzaram comigo nos caminhos da blogsfera, entre elas poderia citar Senhorita Buterfly. Loba, Dácio, Ro, Crys, Kátia, Menina de Rua, Tânia, Kátia Correa, Jacinta,Lino, Zeca, Elis,Cherry,Jota Effe Esse, Dora, Ceci, Aline Belle, Jens, Shirley,Dilberto, Eurico, Celso e mais uma centena de nomes que, por culpa da minha idade avançada, agora não me ocorrem. Diariamente, eu os visitava e eles me visitavam. Elogios, criticas, palavras carinhosas, eram trocadas e nos emocionavam bastante. Depois, os tempos foram avançando, os ânimos esfriando, e as pessoas se distanciando. Hoje, saudoso, recebo poucas e distantes visitas neste blog. Na esperança de retornar aos velhos tempos, conecto-o muitas vezes todos os dias, e nada muda. Os comentários, nossas refinadas massagens egolocalizadas já não nos aquecem como outrora. Então, numa reflexão absurda e, quem sabe, piegas me pergunto será que as coisas voltarão um dia ao esplendor de outrora? E de imediato responde, talvez, um tanto quanto cético, não. Nada será como dantes no reino de Abrantes!.

4.7.10

MEDITANDO UTILIDADE......................





MEDITANDO UTILIDADE.............




Hoje me peguei sorumbático, a meditar sobre o assunto utilidade.

O verbete de conformidade com o Aurélio é um substantivo feminino, gerado do latim “utilitate”, e quer dizer qualidade de útil, serventia, vantagem, proveito, lucro, pessoa ou coisa útil, capacidade de um bem satisfazer pessoas ou desejos humanos, utensílio.

Como pude ver, a abrangência desse substantivo é grande.

Passei, então, a tentar aplicá-lo, nas suas várias simbologias, à minha pessoa, no intuito de me distrair ou, ainda, desviar o pensamento para os motivos saudosos que teimam povoar minha mente e dar trabalho aos poucos neurônios que ainda a povoam.

Primeiro pensei, como aplicar um substantivo feminino num cabra macho e totalmente definido como heterossexual?

Impossível, conclui, e abandonei a idéia.

Tentar usá-lo qualitativamente seria também inútil.

Que qualidades úteis teria um velho caquético e quase esclerosado?

Nessas condições um individuo não tem qualquer serventia, não permite qualquer vantagem, proveito ou lucro.

Antigamente, um velho tinha de seus descendentes, todo respeito possível. Era ouvido e respeitado por toda a sua vivencia e experiência acumulada ao logo de sua existência.

Aprendi isso na minha infância e pratiquei o conhecimento durante todos a minha vida. Hoje tenho o desprazer em perceber que nem aqueles a quem eu tentei transferir esses princípios de vida o praticam como eu desejaria.

Meus descendentes diretos e suas respectivas proles nem comigo agem dessa forma. Às vezes tenho a impressão de ter sido esquecido, ou melhor, ter sido banido de suas vidas.

Se, saudoso, eu os procuro, sou recebido com carinho e afeto, porém finda o breve contato, quando de retorno ao meu habitat eles, de pronto, me recolocam no lugar devido, que é um velho e amarelado álbum de recordações, onde devo ficar até que de novo, desejoso de matar minhas saudades, volte a fazer contato e procurá-los.

Reiniciando as minhas conjecturas lembro que uma das qualificações ao verbete era “pessoa ou coisa útil, capacidade de bem satisfazer pessoas ou desejos humanos”. Estanco os pensamentos, repenso sobre o lido e abro um sorriso maroto de satisfação, enfim havia chegado à possibilidade de poder aplicar, de forma correta e satisfatória o termo utilidade.

Eu, vivendo inicio da minha sétima década tive a felicidade de ver entrar no caminho minha existência uma mulher que, ao contrario de tudo que já me havia acontecido, chegou para me acarinhar, respeitar, amar e paparicar.

Para fazer meus últimos tempos neste plano mais agradáveis, para fazer de mim um velho menos azedo.

Então, concluindo minhas divagações metafísicas, defino que “utilidade” é, nada mais nada menos, do que uma mulher chamada SONIA!

30.5.10



MEMORIAS DE UM PALAVRÃO
Sou hoje um ex ator frustrado, mas tenho, ainda, minhas boas lembranças dos palcos que pisei. Lembro-me que um dia, lá atrás, eu com o “fantástico” cargo de Diretor Artístico do G.A.T.O. (Grupo Amador Teatral Ozanam) do Colégio Comercial Frederico Ozanam, que muito me orgulhava, fui cientificado que a famosa Nydia Licia, naquela altura uma das grandes damas do teatro nacional, estava promovendo testes para formação de um novo espetáculo.
Não tive dúvidas. Junto com mais alguns membros do meu grupo, inclusive Maria do Carmo Seraphim que era por mim considerada como excelente, fomos bater às portas do antigo Teatro Bela Vista.
Lá chegando fomos atendidos por um senhor gordo e muito simpático, era ele o Sr. Renato, Gerente Administrativo do teatro. Ciente do motivo que nos levara até lá, nos encaminhou, de imediato, para o Alceu Nunes que, depois de nos fazer preencher uma ficha de inscrição, solicitou que retornássemos no sábado seguinte para fazer testes.
Ganhamos a rua bastante eufóricos e assim permanecemos até a data pré-estabelecida para o tão esperado teste.

Chegou o dia. Fomos admitidos no recinto onde vários candidatos permaneciam esperando o início da sessão. A aflição, o medo, a angústia deixavam nítidas marcas no rosto de todos.
Observando-os mais atentamente víamos gestos comuns a todos, mãos postadas, para diminuir o tremor, falta de melhor acomodação nas poltronas, risos nervosos.
De repente, não mais que de repente, acendem-se luzes na ribalta e surgem no palco a dama Nydia Licia, Alceu Nunes e mais um homem que ficamos sabendo, era o ator e diretor Libero Miguel.
Dona Nydia,então falou, explicou que estávamos todos ali para dar início ao projeto do Teatro da Juventude.
Explicou o intuído do projeto e, sem mais delongas, deu início aos testes. Foi chamando os candidatos, pedindo que lessem um texto previamente selecionado, depois representassem um trecho de um monólogo ou recitassem uma poesia.
Na minha vez, de tão nervoso, fiz tudo o que me pediram, mas não me lembro, até hoje, o que foi que pediram e, lógico, o que foi que fiz. Sei apenas que devo ter convencido, pois, ao final da sessão de testes, eu estava entre os selecionados e tinha como pares, nada mais, nada menos que Osmar Prado, Marcelo Gastaldi, e a Tuca.
Foram diversos dias de ensaio e de muita união. Minha admiração e respeito por Nydia Licia cada dia aumentava.
Enfim é chegado o dia da estréia.
Nas coxias, todos os membros, devidamente maquiados, esquentavam as vozes, corriam para uma última visita ao sanitário (coisa inevitável), eis que somos visitados, novamente, por Nydia Licia que nos reúne, dá mais um empurrão de confiança e, ao final, olhando nos olhos de todos diz: -“Bem, vamos para a cena e, MERDA para todos.”.
Um balde d’água caiu sobre minha cabeça. A diva do teatro usando palavra tão vulgar e de baixo calão?
Mesmo parcialmente decepcionado, não me permiti abatimento, fui para o palco e fiz a minha parte.
Depois, longe da repercussão dos elogios pelo desempenho de todos, recuperado da emoção provocada pelos elogios da Nydia, do Alceu e do Libero pelo sucesso da estréia, voltei a pensar no assunto e naquela palavra até então, para mim, bastante ofensiva.
Questionei o Alceu e ele, depois de sonora gargalhada, fez pose de mestre e me disse:
- Jovem companheiro, nos primórdios do Teatro, o público dirigia-se para assistir um espetáculo teatral usando como condução os coches, os tilburis, os cabriolés e outros que tais. Lógico, apeavam de seus veículos à porta do Teatro, em consequência, esse portal ficava coberto do estrume dos animais que tracionavam esses veículos. Para os atores, quanto mais estrume à porta, melhor era o resultado da bilheteria. Então apalavra MERDA passou a representar uma forma de augúrio e de expressar o desejo de muito sucesso.
Pronto, a decepção desapareceu e, daí em diante, sempre que aguardava o início de uma representação, fiz questão de dizer em alto e bom som: "MERDA PARA TODOS!"

22.5.10


CRENÇA E DESCRENÇA




Nasci em 1940, cresci no seio de uma família de descendência árabe e tradicionalmente católica, apostólica romana. Nos dogmas religiosos fui criado.
Meus estudos, iniciados por uma alfabetização caseira, tiveram início em uma escola de freiras, Colégio Santa Monica, Nesse estabelecimento educacional eu fiz meu Curso Primário (na nomenclatura atual ensino fundamental).
Alem das matérias básicas tais como Português, Matemática, Geografia, Historia do Brasil e Ciências, tive, ainda, aulas de Religião onde adentrei pelos caminhos da religião com maior profundidade. Fiz o catecismo e, lógico, como consequência, a 1ª. Comunhão.
Através das freiras, aprendi a ajudar na celebração das Missas e daí, com a indicação delas e a minha amizade com o João Batista da Costa Menezes (Juca), que era sobrinho do sampaulino Monsenhor Bastos, passei a integrar o grupo de Coroinhas da Igreja de Nossa Senhora da Consolação.
Assim fui crescendo, cada vez mais envolvido com os princípios e as práticas religiosas. Participei da Cruzada Infantil e fui, também, Congregado Mariano.
Em certo momento da minha existência, já vencidas as etapas de estudo no Curso de Admissão ao Ginásio, comecei a desenvolver pensamentos próprios. As “verdades” que me foram transmitidas no círculo religioso começaram a fustigar minha inteligência.
Duvidas surgiam e, obediente, eu questionava meus mentores religiosos, principalmente o reverendíssimo Monsenhor. Estes, por sua vez, não se dispunham em esclarecer as questões por mim formuladas.
Certa vez, monsenhor Bastos ao ser por mim arguido sobre um dogma religioso respondeu ‘-Moleque, as verdades da Igreja Católica são milenares e transmitidas por todas as gerações. Não são passíveis de serem colocadas em dúvida. O bom católico não duvida, acredita e pronto!’
Essa resposta, ao inverso de colocar um ponto final nas minhas elucubrações, aumentou mais as caraminholas em minha cachola.
Comecei pensar racionalmente e não encontrei explicações plausíveis para justificar a maioria das crenças católicas que me tinham sido apresentadas.
Estes acontecimentos foram me afastando da Igreja Católica e me fazendo percorrer uma longa estrada de buscas e decepções.
Conclui certo dia, que a divindade criadora, da qual eu não tinha como duvidar, era Una e todas as religiões eram ramos de uma mesma árvore e tais ramos, por terem sido criados pelo homem, eram falhos e não muito esclarecedores.
Conclui, também, que a religião que me havia abrigado desde tenra idade, por falha dos humanos que a dirigiam, estava em plena decadência, que ela precisava, com toda urgência, sair do ovo em que se escondera e mudar, radicalmente, a totalidade de sua estrutura para, então, sobreviver e voltar a ser aceita e respeitada por seus seguidores.
Hoje, em comprovação às minhas antigas deduções, vemos que a Igreja Católica, outrora tão orgulhosa do esplendor que a circundava, do ouro que a mantinha, das mentiras que a sustentavam, começou a purgar. A podridão que se escondia nos meandros escuros de seus dogmas começava a ser descoberta, comentada e a fé, outrora tão obediente, estava dando lugar à vergonha e alimentando, cada vez mais, a descrença.
Pronto. Era a falência.
A massa falida dessa religião está aí, jogada aos ventos da indignidade.
Quero crer que, se alguns poucos ministrantes ainda dignos de respeito (?) tomarem o leme da embarcação ora ao leu e mudarem toda a sua estrutura, abolindo a mentira, a falsa moralidade, a imbecialidade desse celibatarismo ignóbil e desumano, ainda sobrarão os fundamentos e a Igreja poderá sobreviver.
Que Deus se apiede dessa instituição e lhe de a oportunidade de se salvar.